Abrindo-nos a receber da vida

 

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Por Isha

Toda vez que eu olho para a minha vida com um “não”, ou com uma ideia melhor de como as coisas deveriam ser, estou negando a vida. Como eu não posso controlar o jogo, não o jogarei. Como não consigo entender, então não vou aceitar.

A obsessão de um intelecto medroso chega a extremos; suas complicações drenam a alegria da vida. Nós fazemos isso automaticamente, jamais imaginamos não ter ideias preconcebidas, é inédito para o nosso intelecto e inteligência.

Mas, e se por um momento damos permissão para experimentar o que é, sem colocar uma ideia de como deveria ser? Como você pode se transformar de vítima em criador? Concentrando-se na consciência, na profundidade silenciosa que está dentro de todos nós, até se tornar uma mente sem pensamentos. Por quê? Não há um porquê. Apenas é.

Quando sentir que está resistindo ao que é, pensando que algo poderia ser melhor neste momento ou que algo é injusto, deixe-o ir. Lembre-se que quando você deixa fluir, quando você se rende, você está vibrando com tudo que é. Quando você está lutando, você está sendo uma criança ressentida que não quer assumir responsabilidade. Por favor, entenda que não estou sugerindo que você intelectualmente se convença de que você não é uma vítima, pelo contrário, se você se sentir como uma vítima em qualquer área de sua vida, permita-se sentir. Abrace a sua vítima interna. Ame a sua vítima interna. Você não vai libertá-la se a rejeitar ou julgar. Sinta as emoções que a vitimização provoca em você: tristeza, raiva, ressentimento. Grita num travesseiro. Chora. Bata no colchão. Abrace a sua vítima interna e logo aprenderá a ver além dela. À medida que as emoções reprimidas são liberadas, a atitude de vítima perde sua carga e prontamente irá desaparecer.

Assim, desta forma, uma clareza se abrirá e você verá os passos a dar para ser mais, para criar o que você realmente quer, a surgir de onde você se sentiu preso, visto que você está liberando aquelas emoções e culpas negadas. Dessa forma, você pode assumir a responsabilidade pela sua própria vida como um criador. A vítima vê a responsabilidade como algo desconfortável, como uma tarefa: é muito mais fácil culpar alguém pelo meu próprio descontentamento. Na verdade, não é tão fácil: simplesmente tire a decisão de parar de sofrer de suas mãos. Até que você não assuma a responsabilidade por sua própria felicidade, você continuará a ser um escravo do seu entorno. Quando finalmente o fizer, encontrará a verdadeira liberdade.

Costumamos pensar que a liberdade significa ser capaz de fazer o que queremos e poder ir aonde queremos ir. No entanto, esta definição de liberdade ignora o fato de que a pessoa que mais nos controla e julga é a gente mesmo. A verdadeira liberdade não é algo que outro possa dar ou tirar: só nós temos esse poder.

A liberdade é a autoaceitação. É se permitir ser, deixando de lado a necessidade desesperada de aprovação que nos faz adotar normas sociais desconfortáveis, para agradar aos outros. A aprovação externa nunca será suficiente enquanto continuemos precisando dela, por causa de uma simples verdade: não aprovamos a nós mesmos.

Por isso, tratamos que os outros façam isso por nós. Mas tentar substituir com a aprovação externa a falta de amor-próprio é como aumentar o volume da TV para abafar o choro de um bebê – uma distração que não faz nada para corrigir a situação.

A verdadeira liberdade é se libertar da vitimização. Trata-se de assumir a responsabilidade por quem você é, abraçando a si mesmo e confiando em sua própria voz interior.

Lembre-se, eu não quero que você tente estas formas de comportamento, se não é isto que você sente. Não negue a sua própria percepção para se encaixar numa ideia sobre a “maneira certa de se comportar”; em vez disso, expanda sua consciência e, naturalmente, adotará as ações de um criador.

Em última instância, ser responsável significa assumir a responsabilidade por si mesmo e por aquilo que escolhemos em cada momento, pelo que decidimos em cada resposta, em cada sentir, em cada ação. Um convite válido para experimentar.

 

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